Crítica I O Protetor: Capítulo Final

Na indústria de Hollywood são raríssimas as sequencias de filmes que superam o original e ainda muito mais raro o terceiro filme superando os anteriores. Em ‘O Protetor: Capítulo Final’, para nossa alegria, nos deparamos com essas ‘anomalias da sétima arte’ pois de fato o melhor ficou para o final.  Nessa nova aventura, o ex-agente da CIA, Robert McCall (Denzel Washington) está terminando mais uma missão extra oficial no sul da Itália e por uma série de acontecimentos, acaba se apaixonando por aquele local e seus moradores, cogitando abandonar a vida de justiceiro solitário, se fixando ao lado daquela pacata gente. O anti-herói só não contava que a máfia italiana Camorra estava utilizando aquele vilarejo à beira mar para contrabando de drogas, fazendo toda a sua população refém do medo, ao passo que também dominava várias autoridades corruptas da polícia e judiciário.

Ainda que previsível, o roteiro (a cargo do veterano da franquia Richard Wenk) nos entrega uma excelente história de busca pela paz, onde não se tenta criar novas e fantasiosas cenas de ação ao estilo de John Wick, pois o personagem de Denzel – muito mais denso e convincente do que o de Keanu Reeves – carrega todo o peso de um passado conturbado sendo a violência do presente utilizada exclusivamente quando esta se faz necessária. Nesse terceiro filme nos deparamos novamente com um Robert McCall relutante em ter que utilizar os métodos violentos aprendidos em sua época de agente da CIA e mesmo existindo sempre a opção de não se envolver, a bússola moral do personagem principal acaba prevalecendo quando este se depara com inocentes frágeis em situação de grande risco. Ao exemplo dos filmes anteriores, uma característica de Robert McCall (Denzel Washington) que o torna realmente letal é o fato que ele sempre busca se antecipar às ações futuras de seus inimigos, surpreendendo-os muito antes que eles adotem ações de retaliação, principalmente em locais que estes acreditam estarem bastante seguros.

Com exceção da cena de abertura do longa, ‘O Protetor: Capítulo Final’ está longe de ser um filme de ação desenfreada pois os combates realmente violentos – sim, eles continuam existindo – só se iniciam no terceiro ato e até lá o que temos são excelentes diálogos sempre com a bela participação de Denzel, super a vontade naquele papel no auge de seus 68 anos. O elenco de apoio com atores italianos está perfeito e a história tenta incluir rapidamente um interesse amoroso ao anti-herói e acerta em evitar o velho clichê da ‘mocinha em apuros’ salva pelo protagonista. Sem atuarem juntos desde o excelente ‘Chamas da Vingança’ (Man on Fire – 2004), Dakota Fanning continua mostrando uma soberba química com Denzel, agora no papel de uma jovem agente da CIA, entretanto, existe a necessidade de o telespectador ter visto os dois filmes anteriores para compreender o real interesse de Robert McCall pela agente Acteur. Nos EUA, a avaliação do órgão Motion Picture Association, atribuiu uma censura R (para maiores de 18 anos) enquanto aqui no Brasil, a censura ficou em 16 anos, naturalmente por algumas cenas de extrema violência onde o diretor do longa, Antoine Fuqua, quis intencionalmente que audiência recebesse esse impacto.

Com uma estreia nos EUA bem antes da nacional, já tivemos acesso aos excelentes números da bilheteria de ‘O Protetor: Capítulo Final’, mostrando que a franquia, contrariando as demais que geralmente perdem força ao longo das continuações, vem corrigindo suas falhas, mantendo o que funcionou e atraindo novos telespectadores. ‘O Protetor: Capítulo Final’ é um filme que prova que um orçamento modesto – sem qualquer CGI aparente – não compromete a qualidade de um filme quando todo o resto funciona de forma coesa e harmoniosa e pela fenomenal experiência que o longa proporciona, ele se apresenta – até o momento – como o melhor do ano de 2023, obtendo por essa razão a nossa nota máxima. Muito embora o subtítulo indique o final da franquia, não me surpreenderia se Robert McCall continuasse sua jornada de ajudar os injustiçados em algum lugar remoto no mundo – ainda que em uma prequel – já que o diretor em entrevista de divulgação considerou rejuvenescer digitalmente o ator Denzel Washington em um filme de origem.

Alexandre Carvalho – Editor

Maravilhoso!

Ficha Técnica:
Título: O PROTETOR: CAPÍTULO FINAL (THE EQUALIZER 3)
País/Ano/Duração: Estados Unidos, 2023, 103 min.
Classificação: 16 anos
Gênero: Ação, Aventura
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Richard Wenk
Produção: Todd Black, Jason Blumenthal, Tony Eldridge, Antoine Fuqua, Tarak Ben Ammar, Enzo Sisti
Estúdio: Sony Pictures
Distribuição no Brasil: Sony Pictures Brasil
Estreia: 05/10/2023
Elenco: Denzel Washington, Dakota Fanning, David Denman

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