Mês: setembro 2026

Crítica I DIGGER

Tom Cruise como você nunca viu e talvez nunca volte a ver e de quebra com cheirinho de OSCAR. Sim, essa foi a frase que me veio a cabeça logo após a cabine de imprensa de ‘Digger’. Mas não se engane, recheado de longos diálogos e excelentes interpretações,‘Digger’ não é um filme para todos. Existe uma certa ironia no fato de Tom Cruise, um dos maiores astros do cinema contemporâneo, abandonar temporariamente o homem que corre, salta, pilota e desafia a morte para interpretar alguém que, em boa parte de ‘Digger’, parece estar correndo desesperadamente atrás das consequências das próprias decisões. Dirigido por Alejandro González Iñárritu (‘O Regresso’, ’21 Gramas’), o longa é uma obra difícil de classificar, pois mistura sátira política, comédia de humor negro, drama ambiental, espetáculo catastrofista e, em determinados momentos, uma reflexão sobre o próprio poder do cinema de transformar acontecimentos em narrativas. O problema — e também parte do fascínio da produção — é que Iñárritu parece querer fazer tudo isso ao mesmo tempo. 

Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, um bilionário magnata do petróleo que pertence àquela espécie de personagem que parece ter sido construída a partir dos piores excessos do poder econômico: riqueza quase ilimitada, influência política, arrogância e uma convicção inabalável de que qualquer problema pode ser resolvido se ele próprio assumir o controle. Só existe um detalhe: o desastre que ameaça o planeta está diretamente relacionado às ações do próprio Digger. E é justamente aí que o filme encontra uma de suas principais fontes de humor. ‘Digger’ não se enxerga como vilão. Muito pelo contrário. Ele acredita sinceramente que pode ser o homem responsável por salvar a humanidade. Essa contradição é fundamental para compreender a proposta de Iñárritu. O sujeito que participa da criação da catástrofe passa a construir a própria imagem como salvador. É uma ideia potencialmente devastadora e o filme sabe disso, embora nem sempre consiga explorá-la com a mesma eficiência. A história acompanha as consequências de uma crise ambiental de proporções gigantescas depois que uma operação ligada ao império energético de Rockwell desencadeia um desastre envolvendo uma enorme massa de gelo na Groenlândia.

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Crítica | A Queda 2: No Limite

Criar uma continuação mantendo o que funcionou no longa original e ao mesmo tempo trazer novos elementos nunca é uma tarefa simples já que o público espera reconhecer a identidade do filme original, mas também deseja se surpreender com algo novo. Quando o primeiro filme se apoia em uma premissa tão extrema quanto a de ‘A Queda’ (Fall – 2022), o desafio aumenta consideravelmente. Afinal, superar a sensação de vertigem e desespero provocada pela história de duas mulheres presas no topo de uma torre de centenas de metros parecia quase impossível. Dirigido pela dupla Peter e Michael Spierig, ‘A Queda 2: No Limite’ consegue recuperar grande parte da tensão que tornou o primeiro filme memorável. Em vez de repetir exatamente a mesma fórmula, a sequência amplia o conceito ao transportar o terror das alturas para uma travessia montanhosa ainda mais perigosa.

O problema é que o roteiro insiste em reproduzir alguns dos recursos dramáticos e das reviravoltas emocionais do original, o que acaba diminuindo a força de uma narrativa que funciona muito melhor quando aposta apenas na sobrevivência. A protagonista agora é Jax Hunter (Harriet Slater), irmã de Shiloh, personagem cuja morte marcou profundamente os acontecimentos do primeiro filme. Enquanto organiza os pertences deixados pela irmã, Jax conhece Luce (Arsema Thomas), grande amiga de Shiloh, que propõe uma homenagem ousada: completar a lendária travessia conhecida como Cotovelo do Diabo, localizada nas montanhas da Tailândia. Movida pela culpa das últimas palavras que dirigiu à irmã, Jax aceita enfrentar o desafio na esperança de encontrar algum tipo de redenção.

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Tom Cruise: “Nunca tive um desafio como este antes, e Alejandro também não”

Já vimos Tom Cruise saltar de penhascos, ficar pendurado em um avião em plena decolagem e pilotar helicópteros sem medo de processos do seguro. No entanto, aos 64 anos, ele enfrenta um novo desafio que não envolve ultrapassar seus limites, mas sim esconder seu corpo sob a barriga, os cabelos grisalhos e as rugas de Digger Rockwell, um magnata do petróleo que causa uma catástrofe ambiental e depois tenta convencer o mundo de que é a pessoa certa para resolvê-la. O resultado é Digger, o novo filme de Alejandro González Iñárritu. Uma comédia sombria em que Cruise aparece quase irreconhecível devido às próteses e lidera um elenco que também inclui Sandra Hüller, Jesse Plemons, Riz Ahmed, Emma D’Arcy e John Goodman. Durante a apresentação do trailer nos estúdios da Warner Bros., o ator explicou que este projeto o obrigou a aplicar tudo o que aprendeu durante seus 45 anos de carreira: “Nunca tive um desafio como este antes, e Alejandro também não”.

O desafio de se tornar Digger
Parte do desafio foi encontrar o tom certo para um personagem que precisava ser engraçado, mas ao mesmo tempo perigoso. “Não existe um ritmo único ou uma fórmula universal para a comédia”, observou Tom Cruise, e com Digger ele teve que descobrir onde estava a linha divisória entre comédia e drama sem transformar o personagem em uma caricatura. “O nível de detalhe envolvido na produção de um filme como este é impressionante”.

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